Aqueles que, assim como eu, fazem do trade sua profissão sabem que conflitos geopolíticos geram distorções. Essas distorções causam volatilidade, algumas correlações de mercado acabam sendo quebradas e os fluxos se desalinham. É por isso que ocorrem aqueles movimentos fortes para um lado e para o outro.
Baseado nisso, encaro o título deste blog como “O day trader vive de pancadinhas”. Ou seja, o day trader vive de cenários em que a volatilidade sobe, os movimentos ficam direcionais, e ele consegue explorar isso da melhor maneira possível. Ganhando, quando muito bem lidos os movimentos, às vezes o saldo de um mês inteiro num único dia; às vezes até do ano inteiro, como uma ceia de Natal conquistada no intervalo de uma semana.
Esse cenário só é possível quando o movimento fica muito direcional. Enquanto você opera diariamente o mercado com seus lotinhos, buscando um ganho padrão ‘seja colocando 10 mil ou 20 mil de lucro’ eu trabalho o mercado de day trade com 1, 2, 3 ou 4 lotinhos para ganhar 100 ou 200 reais. Isso é um padrão. Mas o day trader precisa se preparar para mercados fora do padrão. Nesses momentos, ele dá a “pancadinha”. Por isso a descrição deste blog: “O day trader vive de pancadinhas”.
O que isso quer dizer? Significa que ele opera, na maioria das vezes, no padrão, e em momentos excepcionais utiliza mais a alavancagem e força um pouco mais. Existe um nome para isso, chama-se Overweight, ou seja, um mercado onde você força a alavancagem, trazendo mais alfa que, quando bem aproveitado, paga o mês ou até mesmo o ano inteiro.
Essas pancadinhas acontecem frequentemente no dólar, que costuma apresentar movimentos mais fortes. Lembro-me do episódio envolvendo Valdir Maranhão em 2016, durante o impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Valdir Maranhão, substituindo Eduardo Cunha como presidente da Câmara, simplesmente anulou o processo de impeachment. Naquele meio-dia, o dólar instantaneamente subiu 325 pontos. Você compreende a magnitude disso? Não sei quando você está lendo este texto, mas isso é algo extremamente fora da curva: tantos pontos em um único movimento.
Momentos como esse ocorrem eventualmente. Por exemplo, durante eventos geopolíticos como o governo Trump ou o atual conflito envolvendo o Irã e o possível fechamento do Estreito de Hormuz. Esse possível fechamento afeta diretamente o petróleo, impactando consequentemente a Petrobras. Movimentos mais fortes na ponta compradora surgem. Ações com alto beta e liquidez pagam melhor nesses movimentos.
O day trader vive dessas pancadinhas. Opera o mercado em padrões regulares até ocorrer um conflito geopolítico ou uma notícia inesperada, que quebra correlações e faz desaparecer suportes gráficos. Nesse contexto, existe uma pressão intensa, principalmente pelo fluxo estrangeiro vendendo o mercado em grande volume e de forma direcional. Nesses dias, é possível ganhar muito dinheiro.
Seus lotinhos habituais (1, 2, 3 ou 4) podem se transformar em 100, 200, 300 ou 400 lotes. Isso se você entender claramente o que estou comentando aqui. Compreendendo essa dinâmica, perceberá que o day trader realmente vive dessas pancadinhas, e nesses momentos fará o resultado do seu mês ou até mesmo do seu ano. Continuará operando no padrão, mas seu grande lucro virá dessas distorções pontuais.
